("Invernia", de Carlos Romão)
Olho o mar!
Longe, da ampla varanda, sento-me para o contemplar.
Não quero ir lá. Não quero senti-lo, cheirá-lo, desafiá-lo…
Quero-o distante, quero-me esquivar. Está desigual
Desprezou o azul profundo, intenso, excessivo.
Está plúmbeo, soturno, marginal.
Deixa-se confundir com as nuvens que o rodeiam,
formando um todo, único, sem começo nem fim.
Está parado, imóvel, sem ondas, sem espuma, fragor…
Sem me parecer o mar descomedido. Para mim,
tal como eu, o mar está de mau humor!
