Parada,
em frente desse mar infindo,
desato o pensamento.
Deixo-o soltar-se, fluindo,
primeiro ronceiro, hesitante
um pouco a medo, vai lento!
Depois ganha asas sai veloz,
irresponsável, imprudente,
invasivo, sem recatos,
sem peias que o amarrem.
Quero segurá-lo, norteá-lo,
dirigi-lo, dominá-lo…
Mas ora me falta o alento,
ora escasseia o desejo
e deixo-me,
tal como o vento,
voltear em alvoroço,
roçar o torpe e o recato,
a quietude e o desacato
e esquecer-me de mim.
