Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Fiona
 
Pouso, ansiosa, as mãos no teu pelo macio,
que já não é.
Nesse pelo de belos reflexos de prata,
que já não tem.
Que soltava uma tepidez doce e boa,
que já não sinto.
Enfio os dedos nesse teu manto sedoso,
que já não é,
à espera de te ouvir ronronar com premência,
como já não fazes.
E sinto apenas frio.
Viro-te e procuro encontrar o teu olhar.
Estás fria.
O teu olhar está velado e fixo.
Os meus dedos apenas sentem aspereza
e tu, já não és tu.
És apenas a carcaça ainda reconhecível,
ainda bela,
daquela que foi a minha companheira doce de onze anos, 
e já não é.
Deixaste-me desprevenida.
Foste rápida e determinada!
Agora, só não sei como tapar este buraco
fundo, negro, frio,
que sinto cá dentro,
sem te sentir.

 

Donagata em 2009-06-30


sinto-me:

publicado por Donagata às 20:11
Terça-feira, 16 de Junho de 2009

 
 
Tartamudeio umas palavras,
que se soltam aos soluços, 
sem sentido, desgarradas,
impelidas por impulsos
que com aturada paciência,
tento transformar em poesia.
Solto vocábulos lindos,
diferentes, inusitados,
e arrumo-os no papel.
Exprimo a dor, a tristeza
mas também a alegria.
Tanto como aquele alguém 
que frua de um mau pincel
mas insista mesmo assim 
em estragar boa tinta,
tentando estampar na tela
exangue e sem qualquer talento,
aquele longo cordel
que nos prende à esperança
e nos arruma o pensamento.
 
Donagata em 2009-06-16



publicado por Donagata às 15:32
Sábado, 13 de Junho de 2009

 

São migalhas, só migalhas,

aquilo que eu tenho a certeza

que a existência me dá neste momento.

Pequenas migalhas de um suposto talento.

Suposto pois se queda sem firmeza,

porque descubro que já o fruí

e agora não o abono pois penso que o perdi,

ou então, cedi na convicção. 

Migalhas de afectos que vão escapando,

esmorecendo devagar, subtilmente,

como o fumo se escapa por entre os dedos da mão.

Migalhas dos meus sonhos voando,

suspendendo um rasto de perda e desilusão.

São tudo migalhas… migalhasmigalhas

 

Donagata em 2009-06-13

 



publicado por Donagata às 20:53
Segunda-feira, 08 de Junho de 2009

 
Dia impertinente este, em que deambulo pela casa,
perdida, insatisfeita,  mesmo em risco de explodir.
Não suporto esta ansiedade, este mal-estar geral,
que me azeda, me põe trémula e sem razão, afinal…
Começo tudo e nada acabo.
Tiro coisas do seu sítio para outro experimentar
mais em cima, mais em baixo, vou atrás apreciar…
De repente largo tudo sem me importar do lugar.
Vou-me sentar, distender, pego num livro, vou ler.
E a roupa por tratar?
Largo o livro irritada e aí vou, é um dever.
Vou para a roupa, é verdade, mas logo a vou esquecer,
pois pelo caminho descubro: tenho umas plantas a secar
e se não as rego agora, vão acabar por murchar…
 
Quero lá saber das plantas, da roupa e até da casa.
Nem mesmo quero cuidar daquilo que me dá prazer!
Quero lá saber do pó e do pelo a esvoaçar.
Quero apenas estar só, sem cuidados sem mexer.
E ainda mais do que tudo, o que eu quero é não pensar!
 
Donagata em 2009-06-08



publicado por Donagata às 23:50
Domingo, 07 de Junho de 2009

Imagem da net
 
Gosto de ver passar frescos rostos,

enfrentando a demanda que é viver,

alegres por aquilo que ainda ignoram,
criando belos sonhos sem saber.
Mas viver é um nunca acabar de desafios,
é um correr de águas a cada instante,
que por vezes nos impelem que nem rios
e outras nos aniquilam de rompante.
E é aí que largamos esse sonho,
que tentamos essa água abrandar,
mas aquela que na vida já perdemos,
é bem certo, não a vamos recuperar.
E quedam-se menos frescos esses rostos,
que ainda agora me comprazia a ver passar.
É esta vida feita de lágrimas e desgostos,
de momentos em que nem sabemos respirar,
que ao roubar-lhes o sonho e a poesia,
faz com que os belos rostos percam a magia
e comecem então a definhar…
 
Donagata



publicado por Donagata às 18:21
Quarta-feira, 03 de Junho de 2009

 
 
 
Procuro por entre as páginas deste livro,
velho, gasto, usado, que sou eu,
as memórias de um tempo em que
eu era a tua sombra e tu o meu embalo.
Mas o livro está velho, gasto, usado
e não consigo vislumbrar o que procuro.
Deixou de existir, de ser, ou se escondeu,
para tornar mais delicado encontrar
esse tempo esquecido e retomá-lo.
 
Donagata em 2009-06-03



publicado por Donagata às 20:47
Segunda-feira, 01 de Junho de 2009

 

 

 

A estiagem rodeia-me, de repente,
convertendo-me num vulto deslizante,
de frémitos e sudações padecente
que não param, não suavizam nem um pouco,
e me tornam agitada, impaciente.
E quando, sem mesmo pensar, me toco,
tentando atenuar o desconforto,
eis que engulo, surpreendida, sensações
que acordam de mansinho no meu corpo.
E instala-se, do teu corpo, a saudade,
do teu toque, do teu beijo, do teu ser,
das noites loucas que no calor passámos,
em que os dois, éramos um, até um de nós ceder.


 em 2009-05-30
 



publicado por Donagata às 01:33
O diário do meu alter-ego. O irreverente, desbocado, mal disposto e insensato alter-ego. Mas também o sensível, o emotivo, o lamechas, aquele que tenta dizer coisas de forma bonita... Assim num pobre arremedo poético.
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