Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

("Invernia", de Carlos Romão)
 
Olho o mar!
Longe, da ampla varanda, sento-me para o contemplar.
Não quero ir lá. Não quero senti-lo, cheirá-lo, desafiá-lo…
Quero-o distante, quero-me esquivar. Está desigual

 Desprezou o azul profundo, intenso, excessivo.

Está plúmbeo, soturno, marginal. 
Deixa-se confundir com as nuvens que o rodeiam,
formando um todo, único, sem começo nem fim.
Está parado, imóvel, sem ondas, sem espuma, fragor…
Sem me parecer o mar descomedido. Para mim,
tal como eu, o mar está de mau humor!
 



publicado por Donagata às 16:52
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

("Invernia" de Carlos Romão)
 
Já anoitece! Caminho só pela orla do mar.
Imprimo marcas fundas, de pés irados.
E logo uma língua de água as vem apagar
com longos beijos frios e molhados.
 
Desenho na areia sulcos ao acaso
movendo os pés como se bailasse! 
Deslizante, prossigo e até a onda atraso
que avança e recua, como se me afagasse.
 
E agora, quieta, beijada pela espuma,
que fervilha em torno dos meus dedos,
imagino, ao longe uma velha escuna
que ergue as velas entre ondas e rochedos.
 
E acreditem que até consigo distinguir.
Iluminados por um raio de luar
tristes fantasmas que teimam em surgir
no velho barco que também teima em vogar.
 



publicado por Donagata às 16:47
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

 
Não sei como suspender.
Não sei como a enxugar,
como lhe pegar,
como arrumar,
esta lágrima gelada,
que se pendura obstinada
no débil fio da recordação.
 
Será que a quero perder?
 



publicado por Donagata às 14:23
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

 
Encolhida no sofá,
Envolta em mantas fofas,
Em gatos que se enroscam em mim
Ronronantes de mimo
E em folhas de jornais esquecidas
Gozo o fugaz prazer da inacção.
Tento esvaziar a mente!
Tento parar o fluxo constante
De pensamentos inquietos
Que teimam em manter-se.
Em acordar-me
Para o que quero estar adormecida.
Em lembrar-me
O que pretendo esquecer.
As chamas, na lareira,
Devoram a madeira crepitante
Elevando-se em orgias de cor.
Quem me dera 
Poder elevar-me com elas
E dissolver-me em fumo!
Apesar de desligada,
A televisão mostra-me imagens
Que eu não quero ver,
Emite sons que eu não quero ouvir.
Quero estar vazia, oca.
Receptáculo de outro eu,
Que não este
Que  mal reconheço.
E de quem não sei se gosto.
 
 Donagata



publicado por Donagata às 14:03
Terça-feira, 12 de Maio de 2009

 
Estou a olhá-la da janela
à Carlota, linda gata!
Estica-se, lambe a pata,
cerra os olhos com preguiça,
arqueia o dorso, roliça,
e solta uma miadela.
É a minha musa, a gatinha,
companheira de alguns anos,
adoptou-me, é muito minha
e as duas, como em sonhos,
percorremos oceanos,
ora alegres, ora medonhos,
à procura de uma rima,
daquela palavra que anima
o poema incompleto.
Quando, por fim, aparece
é vê-la compenetrada,
olha para mim, aquiesce,
e adormece encantada.
Rola pra cá e pra lá,
a barriga oferece à brisa
neste bailado, indecisa
que não é bem próprio dela.
Joaquina é também seu nome,
e só isso diz já tudo,
é decidida a bichana
age como uma soberana.

Olho-a,  parece um veludo,

uma doçura, um encanto,
uma ternura e, no entanto
se algum gato abelhudo
pensar só em a perturbar...
basta apenas um olhar,
uma frincha de esmeralda,
qual ameaça velada,
para afastar o infeliz.
É que a minha Carlota
É aspirante a imperatriz.
 
Donagata


sinto-me: para a minha gatinha

publicado por Donagata às 19:56
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

 
 
Como é difícil, ás vezes, 
caber dentro da vergonha
que é sentir-me achincalhada
por aqueles que deviam
fazer-me sentir amada.
 
Como é difícil ouvir,
diante de quem está a escutar,
palavras de troça e sorrir,
quando a vontade é de chorar.
 
Como é amargo duvidar,
de tudo o que eu tinha certo.
Julgar que era querida,
por quem me rodeia na vida,
que afinal é um deserto.
 
 



publicado por Donagata às 14:38
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

"Banhistas" de Picasso
 
Deito-me de bruços
e fecho os olhos.
Abandono o corpo
aos raios tímidos 
que teimam em passar
a frágil cortina de nuvens brancas
e torna subtis os
beijos dourados  com que
aquecem a minha pele.
 
Deito-me de bruços
e fecho os olhos.
Escuto o rumor das ondas,
O seu fragor,
quando quebram na rocha negra,
que se aquieta e se amacia
onde, um dia,
as águas lhe apagaram o fogo
e lamberam a ferida ardente.
 
Deito-me de bruços
e fecho os olhos,
enquanto ouço o suave roçagar
das asas das rolas.
Sobrevoam incansavelmente as águas,
transformando-se,
por breves momentos,
em belíssimas aves do paraíso,
ao vestirem os seus corpos
dos inacreditáveis matizes de azul
que o reflexo das águas, lhes empresta.
 
 
Deitada de bruços e,
ainda de olhos fechados,
vou passando, erraticamente,
os dedos pelo chão colorido
desenhando obras primas
pejadas de sereias
que aguardam ainda,  
os Ulisses mais incautos;
de “meninas do mar”bailando
fazendo rodopiar loucamente
os cabelos de algas finíssimas;
de rochedos no fundo do mar
acolhendo antigos galeões
que apenas deixam antever
os seus finos tesouros perdidos,
de civilizações esquecidas
nas profundezas das águas...
 
Abro os olhos lentamente,
contrariadamente...
Algo indefinível ainda,
me obriga a sair do doce torpor
em que havia mergulhado.
O sol,
talvez na sua persitência mansa,
havia diluído o manto de nuvens
que o cobria.
Procuro uma sombra.
Sento-me,
protegida de outros beijos
mais dolorosos, mais intensos,
que não desejo
e olho esse mar de frente.
Quero fixar os seus tons,
os seus movimentos,
os seus sons,
ora sussurrantes, ora fragorosos,
os seus cheiros, intensos e doces.
Quero colá-los à pele,
senti-los em mim,
fazer, também eu,
parte desse infinito.
 



publicado por Donagata às 12:57
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Fotografia de Joana Almeida
Fotografia de Joana Almeida
 
Mais um dia que acabou
Um dia calmo, indolente
E esta pessoa que sou
Sufoca, arde impaciente.
 
É uma quietude perdida
Uma agitação crescente
Que enche a alma, dorida
Que chora de raiva ardente.
 
E na garganta se prende
Este nó que vai crescendo
Que me fere, que me exaure
Numa dor que não entendo.
 
E esta fúria que não pára
Que a quietação apagou
Esta irritação insana
Nesta pessoa que eu sou,
 
Tem de recuar, de fingir,
De serenar, aquietar
De disfarçar, de sorrir…
E outro dia  começar.
 
 



publicado por Donagata às 12:20
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

 
Imersa numa densa escuridão
Que teima em envolver-me
Vestindo-me o corpo e a alma,
Escuto:
As gotas de chuva tombam,
Pesadas,
Intensas,
Ritmadas,
Nas folhas das árvores do jardim,
Que gemem baixinho
Num sussurro.
Pelos vidros da ampla janela
Através da qual
Não vislumbro senão sombras,
Deslizam fios de água
Que suportam lágrimas azuis.
Lágrimas de um choro
De quem já foi perdoado,
Ou lágrimas de perdão
De quem nunca havia chorado.
 
 
Donagata



publicado por Donagata às 12:13
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Imagem: "Bride" by Chagal
 
Gostaria de te oferecer, amor
Palavras que tu sentisses
Sem equívocos, sem dúvidas,
Poderem apenas ser minhas.
 
Gostaria de saber, amor
Embrulhar-te no meu abraço
Incendiar-te com este fogo
Que, embora sereno,
Arde ainda com fulgor.
 
Gostaria de te mostrar, amor
Esta pessoa que te chama,
Este coração que te ama
E esta alma despida
Por ti, para ti,
Amor da minha vida.
 
Donagata



publicado por Donagata às 00:07
Domingo, 10 de Maio de 2009

Imagem: "Cats on a beach" by Louis Wain
 
Gosto de gatos, e pronto!
Gosto deles brancos, azuis, listados,
Tartaruga, laranja, ou malhados,
Siameses, persas, noruegueses,
Rafeiros, europeus ou balineses…
Gosto de gatos e pronto!
Gosto deles bem peludos,
Encantam-me os de pelo raso,
Gosto mesmo dos sisudos,
Mas são raros, um mero acaso.
Aprecio o seu andar,
Elástico e ondulante,
Muito fluido e provocante,
Exibem-se ao caminhar.
São donos do seu nariz,
Nunca se deixam comprar,
São dóceis, mas não servis,
Sabem deixar-se adorar!
São companhias incríveis,
São amigos assombrosos,
Possuem-nos, são terríveis,
Adoráveis e ardilosos…
Gosto de gatos, e pronto!
Sabem-se insinuar
Tornam-se os nossos amos,
Mas acham prazer em gostar,
Daquilo que nós gostamos.
E é assim que nós vemos
Gatos poetas, cantores,
Gatos que pintam e cremos,
Gatos que sofrem de amores!
Gosto de gatos, e pronto!
 
Donagata


sinto-me: nalua...

publicado por Donagata às 23:50
Domingo, 10 de Maio de 2009

(Imagem: "Devaneios" de Guilherme Faria)
 
Abomino quando me perco em devaneios
deixando fantasias, descuidadas, vagabundas,
percorrerem céleres as ideias mais profundas,
acalentando sonhos de arrebatamentos e anseios.
 
Acobardo-me só de pensar nesses sonhos,
nesse vaguear impudente, que não domino.
Sinto que quero o que nem sequer congemino,
tentando amordaçar os pensamentos bisonhos.
 
E erram assim, as ideias, inconscientes.
Pressinto-as, perturbadas, a esperar,
confiantes que, desse sonho, ao acordar,
descubra paixões reais e não ilusões decadentes.
 



publicado por Donagata às 23:41
Domingo, 10 de Maio de 2009

(Imagem: "Gritos em silêncio By Susana Weingast)
 
Estou em silêncio, perdida,
revoltada, desiludida,
bem no fundo do meu ser.
Estou tão só, tão magoada,
tão incrédula e desalentada
que tudo em mim está a doer.
Doem-me aquelas palavras
Que urgem mas ficam presas
e não consigo dizer.
Sufocam-me e, sem as soltar
só me apetece gritar,gritar e gritar...
Mas mantenho este mutismo
e um certo fatalismo,
que tardo em reconhecer!
Temo o que está por surgir,
não sei como reagir:
se calar, se acusar,
se esquecer, se perdoar...
Estou só, estou ccansada,
sem reagir, magoada,
será assim que vou ficar?
 
Donagata


tags:

publicado por Donagata às 01:21
Domingo, 10 de Maio de 2009

 

Triste dia este em que te vi procurar todas as suas coisas para lhas dar.

Triste dia em que essas coisas, que displicentemente, se iam encostando por aqui,

considerando esta casa já um pouco sua, tiveram que dela sair, que a deixar.

Triste dia este em que te vejo procurar e arrumar, tão absorta como nunca vi,

livros, discos, e sei lá que mais, com os gestos maquinais de quem está a sonhar.

Detens-te, por vezes. Estranhas o que tens na mão, não compreendes.

 Até que acordas, paras, olhas sem ver e deixas as lágrimas rolar.

Hoje perdeste a frescura do rosto só possível para os que não sabem,

para os que nunca sentiram a dor de acordar de um sonho de amor.

 

Donagata

 



publicado por Donagata às 01:01
Sábado, 09 de Maio de 2009


 
Por fim estou aqui.
Piso freneticamente a areia escaldante
apenas para te encontrar.
Entrego-te primeiro os pés
que envolves numa carícia fugaz mas atrevida.
Recuas. Eu tento acompanhar-te, prender-te.
Corro atrás de ti deixando profundos sulcos na areia,
que me segura, que me atrasa, despeitada,
ciumenta, ciosa de ti.
E tu regressas, voluptuoso.
Agora sou eu que recuo, saltito, mudo de ideia.
Mas é com um sorriso alegre que corro de novo para aí.
Cinges-me. Agora toda, num abraço frio,
salgado, urgente, vital.
E eu abandono-me, qual sereia, em bailado nupcial.
 

 



publicado por Donagata às 19:14
Sábado, 09 de Maio de 2009

Se parares um pouco e olhares para trás
Para o muito que vivemos juntos
talvez incrédulo te perguntarás:
Como ainda amas, como ainda sofres,
como ainda esperas, como ainda sentes
aquele arrepio que te devassa a pele
que te inquieta o corpo e a alma enovela,
que faz de nós um todo, que faz de nós um só.

Uma memória única que apertamos num nó. 

 


sinto-me:

publicado por Donagata às 18:31
Sexta-feira, 08 de Maio de 2009

 
Caminho, alheada, pela vereda
que me conduz ao portão.
Os cubos de granito da passagem
fascinam-me de uma forma
que não controlo, que não entendo
e a que devo dizer : não!
Passo, atrás de passo, atrás de passo,
lento, cadenciado, impensado,
caminho de olhos presos aos pés,

 que gatinham pelo chão;

às unhas brilhantes, de verniz,

que adornam  dedos irrequietos

como vermes gordos e rosados,
que se agitam, porque agonizarão
na própria sombra.
Na sombra que me angustia,
que se pega, que se agarra
que se prende que me segue, que se adianta…
A sombra, que sou eu sem ser
que me reproduz sem eu querer,
que me prende, que me agarra,
Sempre colada aos meus pés
e às pedras da calçada.
 



publicado por Donagata às 23:35
Sexta-feira, 08 de Maio de 2009

Quando passo em redor o meu olhar

e os meus olhos se prendem nos teus, tão sofridos.
Que embora sorriam e brilhem, tão belos, tão expressivos.
Ora se movem, ora se ocultam para não chorar.
Interrogo-me, fremente de raiva, qual a razão,
se existe um deus (e eu acho que não),
para que a vida seja sentida,
tenha que ser assim, amarga, sofrida?
 
 

 



publicado por Donagata às 23:20
Quinta-feira, 07 de Maio de 2009

Parada,
em frente desse mar infindo,
desato o pensamento.
Deixo-o soltar-se, fluindo,
primeiro ronceiro, hesitante
um pouco a medo, vai lento!
Depois ganha asas sai veloz,

 irresponsável, imprudente,

invasivo, sem recatos,
sem peias que o amarrem.
Quero segurá-lo, norteá-lo,
dirigi-lo, dominá-lo…
Mas ora me falta o alento,
ora escasseia o desejo
e deixo-me,
tal como o vento,
voltear em alvoroço,
roçar o torpe e o recato,
a quietude e o desacato
e esquecer-me de mim.
 

 



publicado por Donagata às 17:10
Quinta-feira, 07 de Maio de 2009

"Lonliness" by Chagal
Não é tristeza o que sinto!
Sofrimento, também não.
Não é raiva, nem desgosto!
Talvez uma inquietação.

É um correr… e um cansaço,

um desassossego… e uma inércia,

que não procuro, não entendo,
que colidem sem razão.
Então acontece o alento,
num doce sopro, a vontade.
E planeio coisas belas
que espalho, ferozmente…
Procuro então a amizade:
quanto prazer, que deleite!
Mas eis que rapidamente,
presa a esta condição,
nesta frágil duplicidade,
busco sôfrega a solidão.
E me enrolo na indolência,
na desvontade, no remanso,
no meu casulo fervente,
no meu eu de insanidade,
nesta jaula de impaciência!
 

 


sinto-me: assim. Acho gira!

publicado por Donagata às 16:53
Quinta-feira, 07 de Maio de 2009

"A quiet moment" by Beau Mansley
É nessa quietude dolente
Do silêncio de uma jovem madrugada
Que me ouço pensar.
Desenrolam-se incontroláveis incertezas
Acerca do que é a vida,
Do sentido dessa simples palavra.
O que ela traduz,
O que esconde,
O que nos revela
Na sua fragilidade.
Mosaico de fragmentos
Que a moldam
Que a formam
Que a desfazem
Que a fazem andar
Que a param...
E, nesses momentos,
Ávida de respostas,
Estremeço com alegrias que antevejo.
Choro as angústias que me esperam.
E, sobretudo,
Lembro o que não vivi.
 
 


sinto-me: Hummmm. Não sei....

publicado por Donagata às 16:38
Quinta-feira, 07 de Maio de 2009

("Ballerinas" by Ellen Spenser)

 

Abre o pano!

Surge luminosa no seu vestido de dançar.

Pose distinta, elegante!

Pernas suavemente flectidas,

bem visíveis, até um pouco oferecidas

 e braços graciosos, que parecem flutuar.

Está feliz, pois vai dançar!

O seu rosto deslumbrante,

diáfano mas, provocante

Volta-se, tentador,

e é com discreta lascívia

que o seu olhar sedutor

incita, estimula o seu par.

Ouve-se a música!

E num impulso,

Começa a revolutear.

As pernas giram, os braços voam

Todo o seu corpo se quebra,

Se enrosca, se desdobra, se estende…

Num completo arrasar.

E , esquecidos de nós,

da cadeira em que nos sentamos,

do que ainda agora choramos,

vamos sendo convidados,

 nesse seu doido voltejar

A viver o sonho, a paixão,

o que era impossível e agora não!

 

Donagata


sinto-me: cool

publicado por Donagata às 16:22
Quarta-feira, 06 de Maio de 2009

 

 

 

(Fotografia de Chema Madoz "Livros e areia"

 

Vencida, desanimada, esgotada.

Empurrada pelas paredes

que parecem estar cada vez mais próximas,

mais ameaçadoras

e me sufocam, me oprimem, me assustam… 

Acaricio o teu pelo macio, Zorba.

Tu que não me perdes de vista

e me olhas com a meiguice desses olhos de esmeralda.

E ronronas, e dás turrinhas, e te colocas na frente do eterno livro,

e me fazes chorar.

Desalentada abraço-te, companheiro de tantos anos.

E na tua irracionalidade de bicho, entendes-me

e colocas, com jeito, a tua pata macia no meu rosto.

 

Donagata


sinto-me: Bem

publicado por Donagata às 12:09
Quarta-feira, 06 de Maio de 2009

de ver a vida correr lá fora,
de ouvir os sons da rua coados pelos vidros,
pelas paredes,
pelas portas.
De ter como ponte para o exterior
uma caixa de imagens desprezíveis,
desinteressantes, repisadas e de mau gosto,
submirjo ávida nas letras dos livros
que me devolvem a sanidade.
Levam-me a viver outras vidas,
a sonhar outros sonhos,
a sofrer de paixão,
a amar incontroladamente,
a chorar outras lágrimas,
e a esquecer-me das minhas.
São vocês, dilectas letras,
que me fazem voar,
soltar-me da terra,
sorver em fortes golfadas os ventos do mar,
envolver-me na sua espuma,
enredar-me nas suas ondas,
vestir-me de algas,
visitar os seus segredos
e encontrar-me entre o sal das ondas e o das lágrimas,
desta vez das minhas, soltas na solidão.
 
Donagata


sinto-me: artista!

publicado por Donagata às 00:33
Terça-feira, 05 de Maio de 2009

Com a palavra comunico

apalavrando o sentido,

sentindo o significado,

Traduzindo o sentimento.

Com a palavra transmito

palavreado sem tento

num fraseado bonito

num arroubo do momento.

A palavra, o verbo, a voz,

com ela me apraz jogar.

A ela lhe empresto o sentir,

a ela lho volto a tirar.

 

Donagata


sinto-me:

publicado por Donagata às 23:50
Terça-feira, 05 de Maio de 2009

A partir de hoje, este blog que eu tenho mantido inactivo, vai conter todos os poemas que eu for escrevendo nos meus momentos de inspiração e nos outros também.

 

Passará, portanto, a ser um blog dedicado apenas aos meus devaneios poéticos.


sinto-me:

publicado por Donagata às 02:13
O diário do meu alter-ego. O irreverente, desbocado, mal disposto e insensato alter-ego. Mas também o sensível, o emotivo, o lamechas, aquele que tenta dizer coisas de forma bonita... Assim num pobre arremedo poético.
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