Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Imagem de "Fio de Pruno"
 
Sinto-me presa, agarrada,
por um fio delicado,
que não me deixa voar.
Sinto que quero soltar-me.
Não sei de quem nem de quê…
Pretendo apenas sonhar.
Mas esse fio delgado,
quase invisível, disfarçado,
não desiste de me laçar.
É indestrutível, pertinaz,
tem uma força brutal

 e dessa forma me segura,

de modo tão eficaz,
que não é sonho, é amargura,
o sentir que eu sou capaz.
 
Donagata em 2009-03-27


sinto-me:

publicado por Donagata às 16:36

"Poet's House" by  Maggie Taylor
 
Se eu fosse poeta
Saber-te-ia dizer
Por belas palavras
Como o Mundo ficou mais colorido,
Como as estrelas se tornaram mais brilhantes,
Como a vida passou a fazer todo o sentido,
Como eu passei a ter mais sentido na vida,
No dia em que nasceste!
 
Se eu fosse poeta,
Saber-te-ia contar
Por palavras belas
A magia do teu primeiro sorriso,
O encanto das tuas primeiras palavras,
O alvoroço dos teus primeiros passos,
A inquietação no teu primeiro dia de infantário...
 
Se eu fosse poeta,
Saber-te-ia mostrar
Por belas palavras
A alegria dos teus primeiros sucessos,
A atenção ansiosa em todas as mudanças da tua vida,
A tristeza quando te senti triste,
A vaidade de te ver crescer íntegro.
 
Se eu fosse poeta,
Terminaria dizendo
Por belas palavras
Que Homem espantoso és hoje!
Que orgulho imenso sinto em ser tua mãe!
 
Mas...
Eu não sou poeta!
 
 
 
Para o meu filho José Miguel no dia do seu aniversário.
Parabéns!



publicado por Donagata às 11:50

"Lunette de aproche" René Magritte

 

Abro a janela

deste quarto antigo

deste enorme casarão

que me recorda a infância.

Abro a janela

e espreito a manhã.

Desponta cinzenta e branda

Mas gorda de fragrância

a rosmaninho, hortelã,

flor de giesta, lavanda

tomilho e alecrim.

Inalo com força este festim

de lembranças já perdidas,

de memórias esquecidas

bem fundo, dentro de mim.

Ao longe verdeja a encosta

pincelada por mão de artista

de vermelho, de amarelo,

de roxo, de ametista…

E aqui, bem junto a mim,

uma simples oliveira,

singela mas altaneira,

nas rugas do seu madeiro,

na prata das suas folhas

com textura de cetim.

 

E no seu pé…

Uma papoila nascida so para mim!

 

Donagata

 

 



publicado por Donagata às 11:42

 
Fotografia de Flávio Crunivel Brandão "Máscaras de Veneza"
 
Cada vez que, em cada ano, regressa esta
Alegria imposta, aprazada, nasce em mim uma
Revolta, uma procura de mostrar a
Náusea que me provoca toda esta
Alegria fabricada, encomendada por medida
Vestida sobre a mágoa, a desilusão,
A rotina da vida que se escoa
Lenta e implacável...
 



publicado por Donagata às 11:21
O diário do meu alter-ego. O irreverente, desbocado, mal disposto e insensato alter-ego. Mas também o sensível, o emotivo, o lamechas, aquele que tenta dizer coisas de forma bonita... Assim num pobre arremedo poético.
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