Sexta-feira, 08 de Maio de 2009

 
Caminho, alheada, pela vereda
que me conduz ao portão.
Os cubos de granito da passagem
fascinam-me de uma forma
que não controlo, que não entendo
e a que devo dizer : não!
Passo, atrás de passo, atrás de passo,
lento, cadenciado, impensado,
caminho de olhos presos aos pés,

 que gatinham pelo chão;

às unhas brilhantes, de verniz,

que adornam  dedos irrequietos

como vermes gordos e rosados,
que se agitam, porque agonizarão
na própria sombra.
Na sombra que me angustia,
que se pega, que se agarra
que se prende que me segue, que se adianta…
A sombra, que sou eu sem ser
que me reproduz sem eu querer,
que me prende, que me agarra,
Sempre colada aos meus pés
e às pedras da calçada.
 



publicado por Donagata às 23:35

Quando passo em redor o meu olhar

e os meus olhos se prendem nos teus, tão sofridos.
Que embora sorriam e brilhem, tão belos, tão expressivos.
Ora se movem, ora se ocultam para não chorar.
Interrogo-me, fremente de raiva, qual a razão,
se existe um deus (e eu acho que não),
para que a vida seja sentida,
tenha que ser assim, amarga, sofrida?
 
 

 



publicado por Donagata às 23:20
O diário do meu alter-ego. O irreverente, desbocado, mal disposto e insensato alter-ego. Mas também o sensível, o emotivo, o lamechas, aquele que tenta dizer coisas de forma bonita... Assim num pobre arremedo poético.
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