Quinta-feira, 07 de Maio de 2009

Parada,
em frente desse mar infindo,
desato o pensamento.
Deixo-o soltar-se, fluindo,
primeiro ronceiro, hesitante
um pouco a medo, vai lento!
Depois ganha asas sai veloz,

 irresponsável, imprudente,

invasivo, sem recatos,
sem peias que o amarrem.
Quero segurá-lo, norteá-lo,
dirigi-lo, dominá-lo…
Mas ora me falta o alento,
ora escasseia o desejo
e deixo-me,
tal como o vento,
voltear em alvoroço,
roçar o torpe e o recato,
a quietude e o desacato
e esquecer-me de mim.
 

 



publicado por Donagata às 17:10

"Lonliness" by Chagal
Não é tristeza o que sinto!
Sofrimento, também não.
Não é raiva, nem desgosto!
Talvez uma inquietação.

É um correr… e um cansaço,

um desassossego… e uma inércia,

que não procuro, não entendo,
que colidem sem razão.
Então acontece o alento,
num doce sopro, a vontade.
E planeio coisas belas
que espalho, ferozmente…
Procuro então a amizade:
quanto prazer, que deleite!
Mas eis que rapidamente,
presa a esta condição,
nesta frágil duplicidade,
busco sôfrega a solidão.
E me enrolo na indolência,
na desvontade, no remanso,
no meu casulo fervente,
no meu eu de insanidade,
nesta jaula de impaciência!
 

 


sinto-me: assim. Acho gira!

publicado por Donagata às 16:53

"A quiet moment" by Beau Mansley
É nessa quietude dolente
Do silêncio de uma jovem madrugada
Que me ouço pensar.
Desenrolam-se incontroláveis incertezas
Acerca do que é a vida,
Do sentido dessa simples palavra.
O que ela traduz,
O que esconde,
O que nos revela
Na sua fragilidade.
Mosaico de fragmentos
Que a moldam
Que a formam
Que a desfazem
Que a fazem andar
Que a param...
E, nesses momentos,
Ávida de respostas,
Estremeço com alegrias que antevejo.
Choro as angústias que me esperam.
E, sobretudo,
Lembro o que não vivi.
 
 


sinto-me: Hummmm. Não sei....

publicado por Donagata às 16:38

("Ballerinas" by Ellen Spenser)

 

Abre o pano!

Surge luminosa no seu vestido de dançar.

Pose distinta, elegante!

Pernas suavemente flectidas,

bem visíveis, até um pouco oferecidas

 e braços graciosos, que parecem flutuar.

Está feliz, pois vai dançar!

O seu rosto deslumbrante,

diáfano mas, provocante

Volta-se, tentador,

e é com discreta lascívia

que o seu olhar sedutor

incita, estimula o seu par.

Ouve-se a música!

E num impulso,

Começa a revolutear.

As pernas giram, os braços voam

Todo o seu corpo se quebra,

Se enrosca, se desdobra, se estende…

Num completo arrasar.

E , esquecidos de nós,

da cadeira em que nos sentamos,

do que ainda agora choramos,

vamos sendo convidados,

 nesse seu doido voltejar

A viver o sonho, a paixão,

o que era impossível e agora não!

 

Donagata


sinto-me: cool

publicado por Donagata às 16:22
O diário do meu alter-ego. O irreverente, desbocado, mal disposto e insensato alter-ego. Mas também o sensível, o emotivo, o lamechas, aquele que tenta dizer coisas de forma bonita... Assim num pobre arremedo poético.
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