Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

 

Imagem de Miguel Ministro (não autorizada)

 

Exórdio para uns parabéns!
 
 

Serve o texto seguinte, pois, para parabenizar, o artista que há em ti, Miguélico. Pois, para que saibas, de saber feito, que nunca, de jeito algum, eu, também artista, pois, é certo (mas do disparate), deixaria passar inobservada pois, data tão relevante, relativa a alguém que tanto me apraz. Só é pena, pois, não ter a certeza de quantos anos fazes!... Pois, mas isso agora também não interessa nada!

 
Ora bom. Escrever para ti.
Acredita. Estou aflítica.
Pois gostava de mostrar, 
que ainda se encerra por aqui
uma certa veia artística.
 
É apenas um capilar.
Mas uma realidade verídica, 
é que estou a tentar forjar,
uma coisa bem bonítica.
 
Mas, pois que não sei,
não dá mais
e já isto foi sofrídico.
Posso falar de santas pretas,
do firmamento, do além,
de flores ou de pardais,
pois tudo isso é bonítico
e num poema fica bem.
O que não farei, jamais,
é esquecer-me de te dar, 
um beijo muito sentídico,
para mais um ano festejar.
 
Parabéns.

Desejo que tenhas um ano ainda melhor do que este.

Um beijo repenicado.
 
Donagata 2009-05-27

 

 


sinto-me:

publicado por Donagata às 12:04
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

"For about we are going to recieve" Lois Wain
 
Fui almoçar com Amigas,
que há já algum tempo não via.
Espraiou-se a minha alma,
em maré de nostalgia.
Mas é também tal o deleite,
que o encontro me faz sentir,
que é num frenesim agitado,
que mostro a minha alegria.
E converso, não me calo,
rio por tudo e por nada,
nem sei bem o que dizer,
mas não posso estar calada.
Pois ali, bem junto a mim,
vejo pessoas assombrosas,
que não deixo escapar assim,
estão cá dentro; são preciosas.
E acreditem ou não,
embora sem aparecer,
não se apagará a centelha,
as chamas que aquecerão,
esta amizade a crescer.
 
Donagata em 2009-05 -21


sinto-me:

publicado por Donagata às 12:08
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Imagem de "Fio de Pruno"
 
Sinto-me presa, agarrada,
por um fio delicado,
que não me deixa voar.
Sinto que quero soltar-me.
Não sei de quem nem de quê…
Pretendo apenas sonhar.
Mas esse fio delgado,
quase invisível, disfarçado,
não desiste de me laçar.
É indestrutível, pertinaz,
tem uma força brutal

 e dessa forma me segura,

de modo tão eficaz,
que não é sonho, é amargura,
o sentir que eu sou capaz.
 
Donagata em 2009-03-27


sinto-me:

publicado por Donagata às 16:36
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

"Poet's House" by  Maggie Taylor
 
Se eu fosse poeta
Saber-te-ia dizer
Por belas palavras
Como o Mundo ficou mais colorido,
Como as estrelas se tornaram mais brilhantes,
Como a vida passou a fazer todo o sentido,
Como eu passei a ter mais sentido na vida,
No dia em que nasceste!
 
Se eu fosse poeta,
Saber-te-ia contar
Por palavras belas
A magia do teu primeiro sorriso,
O encanto das tuas primeiras palavras,
O alvoroço dos teus primeiros passos,
A inquietação no teu primeiro dia de infantário...
 
Se eu fosse poeta,
Saber-te-ia mostrar
Por belas palavras
A alegria dos teus primeiros sucessos,
A atenção ansiosa em todas as mudanças da tua vida,
A tristeza quando te senti triste,
A vaidade de te ver crescer íntegro.
 
Se eu fosse poeta,
Terminaria dizendo
Por belas palavras
Que Homem espantoso és hoje!
Que orgulho imenso sinto em ser tua mãe!
 
Mas...
Eu não sou poeta!
 
 
 
Para o meu filho José Miguel no dia do seu aniversário.
Parabéns!



publicado por Donagata às 11:50
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

"Lunette de aproche" René Magritte

 

Abro a janela

deste quarto antigo

deste enorme casarão

que me recorda a infância.

Abro a janela

e espreito a manhã.

Desponta cinzenta e branda

Mas gorda de fragrância

a rosmaninho, hortelã,

flor de giesta, lavanda

tomilho e alecrim.

Inalo com força este festim

de lembranças já perdidas,

de memórias esquecidas

bem fundo, dentro de mim.

Ao longe verdeja a encosta

pincelada por mão de artista

de vermelho, de amarelo,

de roxo, de ametista…

E aqui, bem junto a mim,

uma simples oliveira,

singela mas altaneira,

nas rugas do seu madeiro,

na prata das suas folhas

com textura de cetim.

 

E no seu pé…

Uma papoila nascida so para mim!

 

Donagata

 

 



publicado por Donagata às 11:42
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

 
Fotografia de Flávio Crunivel Brandão "Máscaras de Veneza"
 
Cada vez que, em cada ano, regressa esta
Alegria imposta, aprazada, nasce em mim uma
Revolta, uma procura de mostrar a
Náusea que me provoca toda esta
Alegria fabricada, encomendada por medida
Vestida sobre a mágoa, a desilusão,
A rotina da vida que se escoa
Lenta e implacável...
 



publicado por Donagata às 11:21
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Imagem daqui
 
Estou daqui a observar
aquele pequeno pardal
que ensaia o seu voar
do alto do meu beiral.
 
Olha p’ra baixo a avezita.
Vejo-a ansiosa, a piar.
Escorrega-lhe a patita…
Eis que se perde no ar.
 
Vem a pique estonteada
até que agita as asitas.
Movimenta-as, desajeitada,
E vem pousar, nas ervitas.
 
Mas eis que o siamês, o gato,
que aguardava paciente
por entre as folhas do cacto
ali, bem na minha frente;
 
e que só por distracção  
eu ainda não avistara
tal era a minha atenção
perante cena tão rara,

Dá um salto repentino
tentando a ave apanhar.
É aí que eu me obstino,
e lá vai o livro pelo ar.
 
O gato foge numa pressa,
com medo de tão grande míssil.
Mas para o cacto regressa
com um ondular leve e grácil. 
 
Lá vou o livro apanhar
e procurar o pardalinho.
Está encolhido, sem piar
quer sua mãe e seu ninho.
 
Pego nele com cautela,
não o quero assustado.
E vou levá-lo à janela,
aquela que fica mais perto
do seu ninho no beirado.
 
 

  (Um pouco ao estilo dos parnasianos, mais propriamente do neo-romantismo nacionalista. Ou então, não!)

 



publicado por Donagata às 01:15
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

 
Mais uma vez vais.
Eu fico.
Tão só, tão oculta,
tão largada…
Que nem mesmo eu sei
se por ti serei encontrada,
por entre a miríade de causas
que te preenchem a lembrança,
que te ocupa a emoção.
E eu fico.
E algo em mim fica sustido,
não sei bem se é segurança,
se coisas do coração.
Mas sinto algo indefinido,
algo que ensombra a razão.
 
Donagata em 2009-05-20

 


sinto-me:

publicado por Donagata às 18:42
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

"Sonho" de Guilherme de Faria
 
Sonhei contigo.
E como estavas vaidosa
Dos êxitos da tua Inês!
Sonhei contigo.
E eu nervosa
Pois entre a minha alegria
Havia também porquês.
Tentavas tu explicar
Tentava eu entender
Como puderas não estar
O que te fizera reter.
O cabelo por lavar…
Mais um corte de corrente…
E eu calei-te friamente
Não podia acreditar.
 
Acordei!
Tão pesarosa, tão sentida!
Mas eras tu e tão viva,
Que eu nem sequer vacilei
E evoquei a razão.
E agora que acordei,
Só me posso desculpar.
Estiveste presente, eu sei.
E aquilo que eu dizia
Eras também tu a falar.

 

Donagata



publicado por Donagata às 01:28
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Imagem da net. Autor desconhecido
 
Tudo tão sereno.
Posso ouvir o silêncio que me abraça.
No seu interior, ouço também os pássaros

 que, em chilreios alegres e voos arrojados,

finalmente, saúdam o sol que brilha.
E brilha sobre as árvores, sobre a relva,
sobre os telhados das casas, agora mais vivos,
sobre as águas….
E, tudo acalenta, tudo revigora, tudo afaga.
Mas tudo se mantém sereno e calmo,
e o que eu ouço, é apenas o silêncio
como que bebendo dessa benesse
há tanto ambicionada.
Também eu desejo sentir o sol e tomá-lo,
em silêncio, com devoção.
Saio e sinto o calor que me beija a pele,
ma acaricia e me leva esse sentir
até ao âmago de mim.
Sinto o silêncio que as pedras guardam dentro de si.
Por fora, brilham intensamente
sob o dourado do sol. Parecem até distendidas, palpitantes…
Quem sabe, um dia, explodirão em silêncios,
o silêncio que agora guardam…
 
Donagata em 2009-05-04



publicado por Donagata às 01:25
Terça-feira, 19 de Maio de 2009

 
Cláudia Dias e seu par em plena actuação
 
Anda, vem dançar comigo!
é muito simples, repara:
abraças-me com muito jeito.
Depois, num sinal perfeito,
aproximamos a cara,
num gesto terno, de emoção.
Não te intimides, então?
Já enleados num abraço,
já ligados mão na mão,
é só acertar no passo,
no meneio, na torção,
sentir a música, o compasso,
o embalo, a compulsão

e bem presos nesse enleio,

agora feito paixão,
esquecemos a pudor
e brilhamos no salão!
 



publicado por Donagata às 18:24
Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Imagem de Marc Chagal
 
Se ao acordares me estranhares,
não busques razões. Não te assustes!
Fui eu que voei nos braços do sonho.
O que aqui vês, é apenas o que resta de mim.
Sou apenas eu,
sem a esperança da quimera.
 



publicado por Donagata às 18:18
Terça-feira, 19 de Maio de 2009

 
Uma folha caída,
Apenas uma folha caída,
Apenas.
Dourada e só.
Parei.
Pesou-me a sua leveza,
O seu fardo de folha solitária,
A sua renúncia,
O seu fim.
Peguei-a com ternura
E,
Talvez num sonho
(ou por inspiração)
Como se fosse poeta,
Levei-a à minha praia.
Soltei-a ao vento
E,
De um fôlego só,
Soprei-a lá bem para o fundo,
Bem para esse âmago,
Essa essência intangível
Onde o mar se funde com o céu.
 
Fiz dela
A minha estrela.
 
Donagata em 2007-11-04



publicado por Donagata às 11:30
Terça-feira, 19 de Maio de 2009

 
Fecho os olhos devagar.
Por momentos procuro fugir de mim.
Daquela que todos vêem,
e, tal como eu, julgam conhecer.
Por momentos não sou ela.
Sou apenas eu.
Mais real, mais crua, mais viva.
Sem evasivas ou maquilhagens.
Sou aquela que não se reconhece.
 
 



publicado por Donagata às 11:21
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

 
Diz-me, por favor,
como faço para desapertar este nó
que me amordaça a voz,
que me está a asfixiar,
que convoca marés de lágrimas
salgadas e quentes

que  se quedam, também elas,

aprisionadas, impotentes

no fundo do meu olhar.

Ensina-me como soltá-lo,
como abri-lo, desatá-lo,
para poder inspirar,
para voltar a gritar e expulsar esse nó,
que me obriga a estar tão só…
 



publicado por Donagata às 23:49
Domingo, 17 de Maio de 2009

 
Não sei porque não sei escrever poemas de amor!
Não sei porque se me escapam as palavras necessárias
E se vão desvanecendo, lentamente, com pudor.
 
Não sei porque não sei escrever poemas de amor!
Porque se embrulham embotados estes dedos no teclado
Tocando em letras, à sorte, para apenas as descompor?
 
Não sei porque não sei escrever poemas de amor,
Se o que sinto é tão presente, tão intenso, tão pungente,
Que me verga, me aniquila, num mando avassalador!
 
Se escrevo mesmo o que não sinto, de modo arrebatador
Burilando as palavras, versejando com fervor,
Porque será que não sei, escrever poemas de amor?
 



publicado por Donagata às 18:15
Domingo, 17 de Maio de 2009

 
 
Imersa numa densa escuridão
Que me envolve
Vestindo-me o corpo e a alma,
Escuto:
As gotas de chuva tombam,
Pesadas,
Nas folhas das árvores do jardim,
Que gemem baixinho
Num sussurro.
Pelos vidros da ampla janela,
Através da qual
Não vislumbro senão sombras,
Deslizam fios de água
Que suportam lágrimas azuis.
Lágrimas de um choro
De quem já foi perdoado,
Ou lágrimas de perdão
De quem nunca havia chorado.
 
 
Donagata em 30/11/2007



publicado por Donagata às 18:06
Sábado, 16 de Maio de 2009

"Dance shoes" By Elissa
 
Dançar é expressar com o corpo,

palavras que a alma abriga e quer soltar.

É escrever com os pés, com as mãos,

 com todos os movimentos, é desenhar.

 
Dançar é voar bem alto, é subir,
além do sonho, da ilusão da fantasia
É usurpar a música que se faz ouvir.
É esquecer o real e viver a utopia.
 
E é oscilar, saltar, deslizar, rodopiar,
é ser lascivo, mesmo sem o pretender,
é perder-se num contínuo dialogar,
é o balançar entre o cansaço e o prazer.
 
Dançar é um deixar-se possuir,
É esquecer o pudor e a decência,
é ser forte, ter o arrojo de sorrir,
é matar com a alegria a dolência.
 



publicado por Donagata às 17:15
Sábado, 16 de Maio de 2009

 
Como posso eu calar?
Como posso eu fazer?
Como posso ignorar
tudo o que quero esquecer?
 
 
Como posso sacudir?
Como posso empurrar?
Aquilo a que quero fugir
e à pele sinto agarrar?
 

 


sinto-me:

publicado por Donagata às 16:18
Sábado, 16 de Maio de 2009

"Trihos", fotografia de Edson Ricardo
 
Por vezes caminho tão só
pela delicada fímbria da sanidade
que apenas o arrojo e a fome de viver
me impedem de tombar.
 



publicado por Donagata às 15:41
Sábado, 16 de Maio de 2009

 
Na boca um sabor a saudade
do muito que tenho para te beijar.
Na pele esta delicada ansiedade
das vezes sem conta que te irei amar.
E os recantos do meu corpo,
quão desinquietos estão,
para acolherem, encaixarem,
ajustarem, envolverem,
esses teus que ao meu se ajustam,
com notável precisão.
 
Donagata em 2009-03-31

 



publicado por Donagata às 13:11
Sábado, 16 de Maio de 2009

Fotografia de Carlos Romão, "Invernia"
 
Eu hoje estou como o tempo,
incerto, com mau feitio,
tanto sopra forte, o vento,
como está um sol de estio.
 
Estou azeda, irritada,
absurdamente infeliz,
quero tudo sem querer nada…
aquilo que fiz… desfiz.
 
Tudo hoje é uma incerteza,
mas muito tenho por certo,
cada gesto é uma proeza,
cada feito um desacerto.
 
E, tal como o tempo, eu me vou

revoluteando  em incertezas,

soprando-as com violência,
as que o tempo não açaimou.
Pois essas vão ficar presas
à fímbria da minha impaciência.
 
Donagata em 2009-05-16

 



publicado por Donagata às 12:44
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

 
"Invernia" Carlos Romão
 
 
Não tinha ido ainda, este ano,
ao meu bar, ao bar da praia.
Escolhi ir lá hoje, tal era o desejo.
Mas o tempo montou-me uma cilada.
O sol cobriu-se de nuvens.
Não daquelas grossas, espessas
que trazem no ventre fortes aguaceiros.
Também não daquelas bonitas
a imitar flocos de algodão doce
que brincam connosco às charadas
tentando que adivinhemos
as imagens que elas desenham.
E como se divertem e fogem…
E como me divirto e fico…
Não, as nuvens hoje eram daquelas, altas e cinzentas,
que apenas tapam ligeiramente o sol,
apenas o suficiente
para o não deixar acalentar-nos as almas.
Ciumentas.
Sabiam que eu ia ao meu bar
cumprimentar o Sol, a areia,
as rochas escuras, as gaivotas e, o Mar.
Sempre o Mar.
O Mar de sempre.
E, invejosas, toldaram o dia.
O sol não brilhou,
a areia não refulgiu,
o Mar manteve-se austero e escuro
fustigando as negras rochas,
espumando sobre elas a sua raiva.
As gaivotas montavam guarda
em grandes bandos orientadas pelos ventos…
E eu,
eu não tive coragem de me desencantar.
Eu, não fui…
 
Donagata em 2009-05-14



publicado por Donagata às 17:33
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Imagem de Salvador Dali
 
Abro lenta e preguiçosamente os olhos
num deleitoso acordar.
Bem junto a mim, estás tu
que te abres no meu próprio ser.
Abraçados, seduzidos, quedamo-nos a ver,
aquele azul brilhante, imenso, ubíquo,
que nos faz sonhar.
Simplesmente o mar!
 
Donagata



publicado por Donagata às 16:26
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

"Equivocation" by Munguia
 
Se ser mãe viesse acompanhado de instruções!
Se ser mãe nos tornasse capazes de super-acções!
Já te tinha retirado as tuas tristezas,
reavivado essas horas desoladas,
arrancado todos os vestígios de mágoa,
transformado esse olhar sofrido e doce,
em brilhos fulgurantes de alegria,

 e acordado desses momentos de apatia.

E acredita, faria isso, ainda que para tal,
tivesse que guardar para mim todas essas feridas 
bem abertas, sem lhes vislumbrar um final.
Estaria bem mais feliz, dolorida,
do que estou assim, desta forma, marginal.
 
Donagata



publicado por Donagata às 16:05
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

"Gato à Janela" de A. Hiroshige
 
Quando ao fim do dia chego a casa com cautelas

e vagarosamente me aproximo a observar,

procuro o brilho de olhos que das janelas,
me vigiam no meu lento avizinhar.
Os meus gatos pachorrentos mas felizes,
que me aguardam num sereno repousar
fazem pose para que eu os poetize,
e com languidez gozam do prazer
que experimentam ao poder aproveitar
os derradeiros raios de sol do entardecer.
E é ao vê-los assim tão confiantes,
tão soltos mas também tão expectantes,
tão seguros, tão altivos e tão belos,
com olhares tão meigos, tão sinceros,
que me rendo embevecida só de os ver
e percebo que eu sem eles,
era eu sem ser
 



publicado por Donagata às 13:46
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

 
É um momento estranho,
aquele que estás a passar.
É teres muita vontade de ir
e estares triste por não ficar.
Estás cansada, exaurida
do tanto que te é pedido.
Sentes uma raiva incontida,
uma dor, uma impotência,
sentes no peito, cingido
já a saudade da ausência.
É a escola que tu amas!
É o teu reduto, a tua “casa”!
E se de cansaço reclamas
tentando não sucumbir,
pelas colegas já chamas,
mesmo ainda sem partir.
É difícil o momento!
Direi mesmo inenarrável
Se já te falta o alento
e a dor é inefável,
também esse abrandamento
que vais ganhar com a ida,
essa resposta a um chamamento
que te faz a tua vida,
não a deves ignorar,
nem tentar esquecer-te dela.
É uma nova fase tua.
Uma etapa muito bela!
Em que poderás ser tudo,
aquilo que imaginares,
que quiseres, com que sonhares.
Podes ser uma Cinderela,
em vestido de veludo,
ou uma dama mais singela
que abraça um gato felpudo.
Seja qual for a tua escolha,
(podes até ser ambiciosa)!
Vive a vida, folha a folha
com a suavidade de uma rosa.
 
Donagata



publicado por Donagata às 13:39
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

"Vénus ao Espelho" por Diego Velasques
 
Olho para o espelho, de manhã,
e subitamente,
como quem acorda de um pesadelo,
reparo que este me devolve
uma imagem que não conheço,
que não é a minha, seguramente.
Não é aquele rosto que veste a minha alma;
que reflecte o meu sentir, que retrata o meu fulgor,
a minha força, a minha exuberância,
a minha crença na vida, na alegria, no amor.
Eu não sou aquele rosto!
Eu, estou viva!
 



publicado por Donagata às 13:19
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Claude Monet "Chemin de boise, ettect de neige"
 
É estúpido. Eu sei.
Com esta idade julgar que é possível
entender esta coisa difícil que são os afectos.
Aparece alguém que entra assim,
nas nossa vidas, nos nossos tectos.
Cria laços invisíveis,
que se tornam nós,
cada vez mais apertados, mais difíceis,

afectos que se colam à (alma?)

e se instalam, confortavelmente,
docemente, para ficar. Para crescer.
Para afagar com o maior prazer.

Mas eis que chega um dia em que tudo cai.
E este sentir, para onde vai?
Sim, porque já criou gavinhas
que nos agrilhoam que nem plantas daninhas
que se enraizaram em nós.
Algo mudou. Tudo mudou! Deixaram-nos sós.
E esses nós apertados
que se entrelaçam em nós,
não se deixam desatar.
É preciso arrancá-los devagar, mas com decisão.
E é estúpido, eu sei.
Mas ainda se instala a desilusão.
 
Donagata



publicado por Donagata às 17:11
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

"Candle Power" by  Rob Gonsalves
 
É na penumbra deste dia,
Por entre o som constante da chuva
Que me fustiga o rosto e o corpo,
Por trás do silvo do vento
Que assobia enquanto me empurra,
Me agride, me arrepia,
Arrojando folhas tristes
Num remoinho constante,
Que ouço os ecos de mim
 
Donagata



publicado por Donagata às 17:01
O diário do meu alter-ego. O irreverente, desbocado, mal disposto e insensato alter-ego. Mas também o sensível, o emotivo, o lamechas, aquele que tenta dizer coisas de forma bonita... Assim num pobre arremedo poético.
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