Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

("Invernia" de Carlos Romão)
 
Já anoitece! Caminho só pela orla do mar.
Imprimo marcas fundas, de pés irados.
E logo uma língua de água as vem apagar
com longos beijos frios e molhados.
 
Desenho na areia sulcos ao acaso
movendo os pés como se bailasse! 
Deslizante, prossigo e até a onda atraso
que avança e recua, como se me afagasse.
 
E agora, quieta, beijada pela espuma,
que fervilha em torno dos meus dedos,
imagino, ao longe uma velha escuna
que ergue as velas entre ondas e rochedos.
 
E acreditem que até consigo distinguir.
Iluminados por um raio de luar
tristes fantasmas que teimam em surgir
no velho barco que também teima em vogar.
 



publicado por Donagata às 16:47
O diário do meu alter-ego. O irreverente, desbocado, mal disposto e insensato alter-ego. Mas também o sensível, o emotivo, o lamechas, aquele que tenta dizer coisas de forma bonita... Assim num pobre arremedo poético.
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