Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

"Lunette de aproche" René Magritte

 

Abro a janela

deste quarto antigo

deste enorme casarão

que me recorda a infância.

Abro a janela

e espreito a manhã.

Desponta cinzenta e branda

Mas gorda de fragrância

a rosmaninho, hortelã,

flor de giesta, lavanda

tomilho e alecrim.

Inalo com força este festim

de lembranças já perdidas,

de memórias esquecidas

bem fundo, dentro de mim.

Ao longe verdeja a encosta

pincelada por mão de artista

de vermelho, de amarelo,

de roxo, de ametista…

E aqui, bem junto a mim,

uma simples oliveira,

singela mas altaneira,

nas rugas do seu madeiro,

na prata das suas folhas

com textura de cetim.

 

E no seu pé…

Uma papoila nascida so para mim!

 

Donagata

 

 



publicado por Donagata às 11:42
O diário do meu alter-ego. O irreverente, desbocado, mal disposto e insensato alter-ego. Mas também o sensível, o emotivo, o lamechas, aquele que tenta dizer coisas de forma bonita... Assim num pobre arremedo poético.
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