Quinta-feira, 05 de Agosto de 2010


(Imagem de Louis Wain)


Um dia

 

Um dia, quem sabe,

um dia talvez volte a sentir

aquele modo apenas teu de me cuidar.

Talvez que, embora esquecido,

exista ainda em ti

aquela forma, tão tua, de me mimar.

Um dia, quem sabe, talvez um dia

redescubras a forma certa de me amar.


Até lá, meu amor, vou acreditar…



publicado por Donagata às 17:08

 

(Imagem de Louis Wain)

 

Um dia

 

Um dia, quem sabe,

um dia talvez volte a sentir

aquele modo apenas teu de me cuidar.

Talvez que, embora esquecido,

exista ainda em ti

aquela forma, tão tua, de me mimar.

Um dia, quem sabe, talvez um dia

redescubras a forma certa de me amar.

 

Até lá, meu amor, vou acreditar…



publicado por Donagata às 17:08
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Imagem daqui
 

Um esquife, forrado de brancos cetins.

Um corpo, vestido de preto, de rosto céreo,

sem expressão, anónimo sem mistério.

O invólucro daquilo que já foi alguém

mas que agora se detém frio, obscuro, ninguém.

Os rostos que me rodeiam revelam dor

pela ausência anunciada, pelos térreos fins,

pela saudade,daquele que era alvo do seu amor.

Eu observo, atenta, triste também.

Mas dentro de mim cresce uma descrença louca

de que sejamos algo mais do que aquele despojo,

que não se aceita, que não é nada, que se apouca.

E que reste algo mais de nós para alimentar o nojo,

daqueles que ficam e se mantêm alguém.

É que, para mim,

a morte é o culminar da vida,

o terminar da demora que nos foi consentida,

uma partida sem retorno, um  fim.

E se alguma coisa de nós resta

é apenas a saudade e a memória.

Lembranças que alinham a nossa história

naqueles que em vida nos amaram.

 

 



publicado por Donagata às 00:27
Terça-feira, 04 de Agosto de 2009

Imagem da net
O que aconteceu?
Quem é este ser que se apossou desta carapaça
que reconheço como minha e, contudo, não sou eu?
É algo que me domina, me amordaça,
me torna os dias insuportáveis, odiosos.
O que são estes tentáculos espessos e viscosos
que insistem e insistem em me puxar para…
Onde? Não sei.
Algum ponto vil, decerto.
Um abismo, um poço, um deserto.
Algum local no qual adormeço e jamais desperto.
Onde estou eu?
 
 



publicado por Donagata às 17:15
Segunda-feira, 03 de Agosto de 2009
"Gato com sol" de Aldemir Martins
 
Experimento o sol radioso que se alonga pelo meu jardim.
Envolve-me a pele do rosto, dos braços, das pernas
e sinto que me acaricia de forma urgente, inadiável,
sem subtilezas, finuras ou rodeios. Escaldante.
Eu, deixo-me consumir neste amargo-doce
e desprendo-me de mim.
 


publicado por Donagata às 23:53
Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

"The wall of no-words" de Alberto. G. Baccelli
 
Gosto das tuas palavras
quando as sinto algodão.
Suaves, coloridas e doces.
E então é como se fosses
Aquele que eras então…
E ainda hoje, ao ouvi-las,
vem-me a ternura à memória
e vivo de novo a nossa história
com um frémito de emoção.
 
Às vezes sinto-as redondas,  
macias, bem desenhadas
modelam-se na tua boca,
saem soltas, bem cuidadas…
 
E há ainda ocasiões
em que elas têm esquinas.
Saem cortantes, agudas,
como fantasias peregrinas.
Por vezes são tão obtusas
que nem mesmo as quero ouvir. 
Viajo para o meu mundo
e escuto-as a sorrir…
 
Donagata



publicado por Donagata às 16:44
Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

 
Imagem de Salvador Dali
 
Cercada. 
Estou tão completamente cercada
que me sinto inquieta, comprimida,
impedida de respirar.
Olho em volta espavorida,
e bato-me em vã tentativa,
dessas correntes soltar.
Mas são pessoas que vejo,
pessoas que não posso ignorar,

amargas, gastas e feias, 

ainda que jovens sejam
e agradáveis ao olhar.
E eu amarga, gasta e feia,
se calhar sem mais razão,
que não seja a de me esforçar
por estender sempre a mão
a essa gente que me prende,
me puxa me exige me agarra,
me continua a cercar
e que constantemente me chama,
ainda que mesmo sem falar.
 
Donagata em 2009-07-30

 



publicado por Donagata às 19:19

"El hogar de los olvidos" de Luísa beatriz Osdoba

 

Quando nos falta o ânimo,

e a nossa alma começa a ceder.
Quando sentimos que se dissipa o ardor
e constatamos quão difícil é viver.
Quando se complica a simples tarefa de pensar
e tudo o que mais queremos é esquecer.
Quando o corpo nos desabriga
e também nos começa a falhar…
Será que estamos na altura de cessar?
 

 


sinto-me:

publicado por Donagata às 17:21
Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Imagem de Chagall
 
Quando um mais um não se tornam um só.
Quando ao dar as mãos já não se forma um ser uno
mas dois, de mãos dadas.
Quando ao imaginar surge o eu antes do nós.
Quando se sente primeiro a própria desventura
e só depois pensamos que outro alguém
poderá sofrer de igual modo.
Quando julgamos o outro a causa da queda das nossas asas,
sem pensarmos que possamos nós ter cerceado as de alguém.
Será que vale a pena?
Será que resta ainda um centelha do nós?
Será que o amor é suficiente para juntar as penas?
Será que poderemos ainda voar juntos?
Será?
 
Donagata em 2009-08-27

 



publicado por Donagata às 13:09
Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

 
 
Vou contar-vos uma história, 
difícil de compreender.
Mas um facto é um facto,
não há como o esconder.
 
Todos quantos aqui vêm,
sabem que gosto de ler.
E depois, nas horas vagas,
lá vou tentando escrever.
 
É algo que muito me apraz,
(embora me escasseie a mestria),
e do jeito que sou capaz,
vou dando forma às palavras,
desculpem, é uma mania,
e torno-as dor ou mel …
em frases que se escapam
e se espalham no papel .
 
Pois agora, ultimamente,
vá-se lá saber porquê,
ando distraída, ausente,
sinto que algo está a mudar.

 Não é que esta fraca escrevente,

em vez de se tentar apurar
nas letras, de que tanto gosta,
pega nas alfaias às costas
e para a quinta vai labutar!!!
 
E lá planto, semeio, colho,
toda cheia de vontade.
Mas que parvoíce é esta,
Se o que eu gosto é da cidade?!!!
 
Tomo conta das vaquinhas,
das ovelhas, das galinhas,
recolho ovos e leite,
colho cerejas e maçã
e tudo com um deleite,
como se não houvesse amanhã!
 
Internem-me! Peço eu.
Isto está a ficar um vício!
E já que a culpa é tua, Rafael,
(e olha que não tens indulto),
vê se arranjas um empenho,
daqueles bons, dos de antanho ,
para eu voltar às palavras
e estendê-las no papel!
 
O que eu me esqueci de dizer,
é que a Quinta é a brincar!
E se me apetece ler, trabalhar, escrever,
ninguém me pode enredar.
Mas apesar dos compromissos,
que não posso descurar,
quando dou por mim já fui,
sorrateira, a disfarçar,
para a Quinta “encher chouriços”,
E o trabalhinho, a aguardar!
 
É ou não é um caso sério?
Um caso para me inquietar?
 
 Donagata em 2009-07-16



publicado por Donagata às 19:13
Sábado, 04 de Julho de 2009

 
E depois,
há aqueles dias
em que por uma qualquer razão,
sem razão nenhuma
nos parece que o tempo

que perdemos a tentar viver,

não faz sentido
e nos foge, sentido,
sem que o possamos parar.
 
Donagata em 2009-07-03

 



publicado por Donagata às 01:31
Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Fiona
 
Pouso, ansiosa, as mãos no teu pelo macio,
que já não é.
Nesse pelo de belos reflexos de prata,
que já não tem.
Que soltava uma tepidez doce e boa,
que já não sinto.
Enfio os dedos nesse teu manto sedoso,
que já não é,
à espera de te ouvir ronronar com premência,
como já não fazes.
E sinto apenas frio.
Viro-te e procuro encontrar o teu olhar.
Estás fria.
O teu olhar está velado e fixo.
Os meus dedos apenas sentem aspereza
e tu, já não és tu.
És apenas a carcaça ainda reconhecível,
ainda bela,
daquela que foi a minha companheira doce de onze anos, 
e já não é.
Deixaste-me desprevenida.
Foste rápida e determinada!
Agora, só não sei como tapar este buraco
fundo, negro, frio,
que sinto cá dentro,
sem te sentir.

 

Donagata em 2009-06-30


sinto-me:

publicado por Donagata às 20:11
Terça-feira, 16 de Junho de 2009

 
 
Tartamudeio umas palavras,
que se soltam aos soluços, 
sem sentido, desgarradas,
impelidas por impulsos
que com aturada paciência,
tento transformar em poesia.
Solto vocábulos lindos,
diferentes, inusitados,
e arrumo-os no papel.
Exprimo a dor, a tristeza
mas também a alegria.
Tanto como aquele alguém 
que frua de um mau pincel
mas insista mesmo assim 
em estragar boa tinta,
tentando estampar na tela
exangue e sem qualquer talento,
aquele longo cordel
que nos prende à esperança
e nos arruma o pensamento.
 
Donagata em 2009-06-16



publicado por Donagata às 15:32
Sábado, 13 de Junho de 2009

 

São migalhas, só migalhas,

aquilo que eu tenho a certeza

que a existência me dá neste momento.

Pequenas migalhas de um suposto talento.

Suposto pois se queda sem firmeza,

porque descubro que já o fruí

e agora não o abono pois penso que o perdi,

ou então, cedi na convicção. 

Migalhas de afectos que vão escapando,

esmorecendo devagar, subtilmente,

como o fumo se escapa por entre os dedos da mão.

Migalhas dos meus sonhos voando,

suspendendo um rasto de perda e desilusão.

São tudo migalhas… migalhasmigalhas

 

Donagata em 2009-06-13

 



publicado por Donagata às 20:53
Segunda-feira, 08 de Junho de 2009

 
Dia impertinente este, em que deambulo pela casa,
perdida, insatisfeita,  mesmo em risco de explodir.
Não suporto esta ansiedade, este mal-estar geral,
que me azeda, me põe trémula e sem razão, afinal…
Começo tudo e nada acabo.
Tiro coisas do seu sítio para outro experimentar
mais em cima, mais em baixo, vou atrás apreciar…
De repente largo tudo sem me importar do lugar.
Vou-me sentar, distender, pego num livro, vou ler.
E a roupa por tratar?
Largo o livro irritada e aí vou, é um dever.
Vou para a roupa, é verdade, mas logo a vou esquecer,
pois pelo caminho descubro: tenho umas plantas a secar
e se não as rego agora, vão acabar por murchar…
 
Quero lá saber das plantas, da roupa e até da casa.
Nem mesmo quero cuidar daquilo que me dá prazer!
Quero lá saber do pó e do pelo a esvoaçar.
Quero apenas estar só, sem cuidados sem mexer.
E ainda mais do que tudo, o que eu quero é não pensar!
 
Donagata em 2009-06-08



publicado por Donagata às 23:50
Domingo, 07 de Junho de 2009

Imagem da net
 
Gosto de ver passar frescos rostos,

enfrentando a demanda que é viver,

alegres por aquilo que ainda ignoram,
criando belos sonhos sem saber.
Mas viver é um nunca acabar de desafios,
é um correr de águas a cada instante,
que por vezes nos impelem que nem rios
e outras nos aniquilam de rompante.
E é aí que largamos esse sonho,
que tentamos essa água abrandar,
mas aquela que na vida já perdemos,
é bem certo, não a vamos recuperar.
E quedam-se menos frescos esses rostos,
que ainda agora me comprazia a ver passar.
É esta vida feita de lágrimas e desgostos,
de momentos em que nem sabemos respirar,
que ao roubar-lhes o sonho e a poesia,
faz com que os belos rostos percam a magia
e comecem então a definhar…
 
Donagata



publicado por Donagata às 18:21
Quarta-feira, 03 de Junho de 2009

 
 
 
Procuro por entre as páginas deste livro,
velho, gasto, usado, que sou eu,
as memórias de um tempo em que
eu era a tua sombra e tu o meu embalo.
Mas o livro está velho, gasto, usado
e não consigo vislumbrar o que procuro.
Deixou de existir, de ser, ou se escondeu,
para tornar mais delicado encontrar
esse tempo esquecido e retomá-lo.
 
Donagata em 2009-06-03



publicado por Donagata às 20:47
Segunda-feira, 01 de Junho de 2009

 

 

 

A estiagem rodeia-me, de repente,
convertendo-me num vulto deslizante,
de frémitos e sudações padecente
que não param, não suavizam nem um pouco,
e me tornam agitada, impaciente.
E quando, sem mesmo pensar, me toco,
tentando atenuar o desconforto,
eis que engulo, surpreendida, sensações
que acordam de mansinho no meu corpo.
E instala-se, do teu corpo, a saudade,
do teu toque, do teu beijo, do teu ser,
das noites loucas que no calor passámos,
em que os dois, éramos um, até um de nós ceder.


 em 2009-05-30
 



publicado por Donagata às 01:33
Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

 

Imagem de Miguel Ministro (não autorizada)

 

Exórdio para uns parabéns!
 
 

Serve o texto seguinte, pois, para parabenizar, o artista que há em ti, Miguélico. Pois, para que saibas, de saber feito, que nunca, de jeito algum, eu, também artista, pois, é certo (mas do disparate), deixaria passar inobservada pois, data tão relevante, relativa a alguém que tanto me apraz. Só é pena, pois, não ter a certeza de quantos anos fazes!... Pois, mas isso agora também não interessa nada!

 
Ora bom. Escrever para ti.
Acredita. Estou aflítica.
Pois gostava de mostrar, 
que ainda se encerra por aqui
uma certa veia artística.
 
É apenas um capilar.
Mas uma realidade verídica, 
é que estou a tentar forjar,
uma coisa bem bonítica.
 
Mas, pois que não sei,
não dá mais
e já isto foi sofrídico.
Posso falar de santas pretas,
do firmamento, do além,
de flores ou de pardais,
pois tudo isso é bonítico
e num poema fica bem.
O que não farei, jamais,
é esquecer-me de te dar, 
um beijo muito sentídico,
para mais um ano festejar.
 
Parabéns.

Desejo que tenhas um ano ainda melhor do que este.

Um beijo repenicado.
 
Donagata 2009-05-27

 

 


sinto-me:

publicado por Donagata às 12:04
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

"For about we are going to recieve" Lois Wain
 
Fui almoçar com Amigas,
que há já algum tempo não via.
Espraiou-se a minha alma,
em maré de nostalgia.
Mas é também tal o deleite,
que o encontro me faz sentir,
que é num frenesim agitado,
que mostro a minha alegria.
E converso, não me calo,
rio por tudo e por nada,
nem sei bem o que dizer,
mas não posso estar calada.
Pois ali, bem junto a mim,
vejo pessoas assombrosas,
que não deixo escapar assim,
estão cá dentro; são preciosas.
E acreditem ou não,
embora sem aparecer,
não se apagará a centelha,
as chamas que aquecerão,
esta amizade a crescer.
 
Donagata em 2009-05 -21


sinto-me:

publicado por Donagata às 12:08
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Imagem de "Fio de Pruno"
 
Sinto-me presa, agarrada,
por um fio delicado,
que não me deixa voar.
Sinto que quero soltar-me.
Não sei de quem nem de quê…
Pretendo apenas sonhar.
Mas esse fio delgado,
quase invisível, disfarçado,
não desiste de me laçar.
É indestrutível, pertinaz,
tem uma força brutal

 e dessa forma me segura,

de modo tão eficaz,
que não é sonho, é amargura,
o sentir que eu sou capaz.
 
Donagata em 2009-03-27


sinto-me:

publicado por Donagata às 16:36

"Poet's House" by  Maggie Taylor
 
Se eu fosse poeta
Saber-te-ia dizer
Por belas palavras
Como o Mundo ficou mais colorido,
Como as estrelas se tornaram mais brilhantes,
Como a vida passou a fazer todo o sentido,
Como eu passei a ter mais sentido na vida,
No dia em que nasceste!
 
Se eu fosse poeta,
Saber-te-ia contar
Por palavras belas
A magia do teu primeiro sorriso,
O encanto das tuas primeiras palavras,
O alvoroço dos teus primeiros passos,
A inquietação no teu primeiro dia de infantário...
 
Se eu fosse poeta,
Saber-te-ia mostrar
Por belas palavras
A alegria dos teus primeiros sucessos,
A atenção ansiosa em todas as mudanças da tua vida,
A tristeza quando te senti triste,
A vaidade de te ver crescer íntegro.
 
Se eu fosse poeta,
Terminaria dizendo
Por belas palavras
Que Homem espantoso és hoje!
Que orgulho imenso sinto em ser tua mãe!
 
Mas...
Eu não sou poeta!
 
 
 
Para o meu filho José Miguel no dia do seu aniversário.
Parabéns!



publicado por Donagata às 11:50

"Lunette de aproche" René Magritte

 

Abro a janela

deste quarto antigo

deste enorme casarão

que me recorda a infância.

Abro a janela

e espreito a manhã.

Desponta cinzenta e branda

Mas gorda de fragrância

a rosmaninho, hortelã,

flor de giesta, lavanda

tomilho e alecrim.

Inalo com força este festim

de lembranças já perdidas,

de memórias esquecidas

bem fundo, dentro de mim.

Ao longe verdeja a encosta

pincelada por mão de artista

de vermelho, de amarelo,

de roxo, de ametista…

E aqui, bem junto a mim,

uma simples oliveira,

singela mas altaneira,

nas rugas do seu madeiro,

na prata das suas folhas

com textura de cetim.

 

E no seu pé…

Uma papoila nascida so para mim!

 

Donagata

 

 



publicado por Donagata às 11:42

 
Fotografia de Flávio Crunivel Brandão "Máscaras de Veneza"
 
Cada vez que, em cada ano, regressa esta
Alegria imposta, aprazada, nasce em mim uma
Revolta, uma procura de mostrar a
Náusea que me provoca toda esta
Alegria fabricada, encomendada por medida
Vestida sobre a mágoa, a desilusão,
A rotina da vida que se escoa
Lenta e implacável...
 



publicado por Donagata às 11:21
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Imagem daqui
 
Estou daqui a observar
aquele pequeno pardal
que ensaia o seu voar
do alto do meu beiral.
 
Olha p’ra baixo a avezita.
Vejo-a ansiosa, a piar.
Escorrega-lhe a patita…
Eis que se perde no ar.
 
Vem a pique estonteada
até que agita as asitas.
Movimenta-as, desajeitada,
E vem pousar, nas ervitas.
 
Mas eis que o siamês, o gato,
que aguardava paciente
por entre as folhas do cacto
ali, bem na minha frente;
 
e que só por distracção  
eu ainda não avistara
tal era a minha atenção
perante cena tão rara,

Dá um salto repentino
tentando a ave apanhar.
É aí que eu me obstino,
e lá vai o livro pelo ar.
 
O gato foge numa pressa,
com medo de tão grande míssil.
Mas para o cacto regressa
com um ondular leve e grácil. 
 
Lá vou o livro apanhar
e procurar o pardalinho.
Está encolhido, sem piar
quer sua mãe e seu ninho.
 
Pego nele com cautela,
não o quero assustado.
E vou levá-lo à janela,
aquela que fica mais perto
do seu ninho no beirado.
 
 

  (Um pouco ao estilo dos parnasianos, mais propriamente do neo-romantismo nacionalista. Ou então, não!)

 



publicado por Donagata às 01:15
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

 
Mais uma vez vais.
Eu fico.
Tão só, tão oculta,
tão largada…
Que nem mesmo eu sei
se por ti serei encontrada,
por entre a miríade de causas
que te preenchem a lembrança,
que te ocupa a emoção.
E eu fico.
E algo em mim fica sustido,
não sei bem se é segurança,
se coisas do coração.
Mas sinto algo indefinido,
algo que ensombra a razão.
 
Donagata em 2009-05-20

 


sinto-me:

publicado por Donagata às 18:42

"Sonho" de Guilherme de Faria
 
Sonhei contigo.
E como estavas vaidosa
Dos êxitos da tua Inês!
Sonhei contigo.
E eu nervosa
Pois entre a minha alegria
Havia também porquês.
Tentavas tu explicar
Tentava eu entender
Como puderas não estar
O que te fizera reter.
O cabelo por lavar…
Mais um corte de corrente…
E eu calei-te friamente
Não podia acreditar.
 
Acordei!
Tão pesarosa, tão sentida!
Mas eras tu e tão viva,
Que eu nem sequer vacilei
E evoquei a razão.
E agora que acordei,
Só me posso desculpar.
Estiveste presente, eu sei.
E aquilo que eu dizia
Eras também tu a falar.

 

Donagata



publicado por Donagata às 01:28

Imagem da net. Autor desconhecido
 
Tudo tão sereno.
Posso ouvir o silêncio que me abraça.
No seu interior, ouço também os pássaros

 que, em chilreios alegres e voos arrojados,

finalmente, saúdam o sol que brilha.
E brilha sobre as árvores, sobre a relva,
sobre os telhados das casas, agora mais vivos,
sobre as águas….
E, tudo acalenta, tudo revigora, tudo afaga.
Mas tudo se mantém sereno e calmo,
e o que eu ouço, é apenas o silêncio
como que bebendo dessa benesse
há tanto ambicionada.
Também eu desejo sentir o sol e tomá-lo,
em silêncio, com devoção.
Saio e sinto o calor que me beija a pele,
ma acaricia e me leva esse sentir
até ao âmago de mim.
Sinto o silêncio que as pedras guardam dentro de si.
Por fora, brilham intensamente
sob o dourado do sol. Parecem até distendidas, palpitantes…
Quem sabe, um dia, explodirão em silêncios,
o silêncio que agora guardam…
 
Donagata em 2009-05-04



publicado por Donagata às 01:25
Terça-feira, 19 de Maio de 2009

 
Cláudia Dias e seu par em plena actuação
 
Anda, vem dançar comigo!
é muito simples, repara:
abraças-me com muito jeito.
Depois, num sinal perfeito,
aproximamos a cara,
num gesto terno, de emoção.
Não te intimides, então?
Já enleados num abraço,
já ligados mão na mão,
é só acertar no passo,
no meneio, na torção,
sentir a música, o compasso,
o embalo, a compulsão

e bem presos nesse enleio,

agora feito paixão,
esquecemos a pudor
e brilhamos no salão!
 



publicado por Donagata às 18:24

Imagem de Marc Chagal
 
Se ao acordares me estranhares,
não busques razões. Não te assustes!
Fui eu que voei nos braços do sonho.
O que aqui vês, é apenas o que resta de mim.
Sou apenas eu,
sem a esperança da quimera.
 



publicado por Donagata às 18:18
O diário do meu alter-ego. O irreverente, desbocado, mal disposto e insensato alter-ego. Mas também o sensível, o emotivo, o lamechas, aquele que tenta dizer coisas de forma bonita... Assim num pobre arremedo poético.
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